quarta-feira, 7 de maio de 2008

Meu querido mundo...

Meu querido mundo
Deslumbrado com a maldade
Assopro aos ouvidos surdos
A cantilena impregnada de horror
Com todo fôlego
(Um pintoQue não sabe cacarejar)
Com toda coragem
(Um caracolEscondido em si mesmo)
Com toda obstinação
(Uma garotaViciada em anfetaminas)
Com honestidade
Com vontade
Com verdade
Com toda suavidade
Um tetraplégico
Que afasta com a língua
Uma mosca pousada na ponta do nariz.
Marcus Almeida Magalhães

Esses olhos repletos de infância...

Esses olhos repletos de infância,
Não sei. O que há conosco afinal?
O que há nesses olhos repletos de infância
Que quando crescem desaparecem
Por esse mundo afora
E mais parecem olhos cansados
Para desvendar outros horizontes.

O que há entre a linha imaginária
Que divide a infância do novo despertar
Para outra realidade?

Ai, esses olhos repletos de infância...

domingo, 4 de maio de 2008

Hannah Arendt e a infância

""O Século da Criança", como podemos lembrar, iria emancipar a criança e liberá-la dos padrões originários de um mundo adulto"

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A infância pensa

Podemos dizer que a curiosidade é um traço nato das crianças
As indagações da existência, toda a curiosidade de vida
A curiosidade das ocupações, dos verbos, das relações homem-mundo e das convenções
Podemos dizer que nascemos com tais necessidades
Seria a filosofia uma ciência-criança?

Até quando podaremos e castraremos os sonhos de conhecimento que nascem com as crianças?
Até quando no cegaremos frente ao fato delas serem seres capazes de futuros e cultivadoras de lindas paisagens?

As crianças são acima de tudo seres da existência mundana
Construtoras intelectuais e merecedoras de cuidados
Negar esses caminhos seria negar-lhes a sua humanidade?
Até quando?!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

INFÂNCIAS?

Foto de João Silva/NYT, publicada em Carta Capital , março 2008, edicção 4
Infâncias?
Até quando nos manteremos calados?
Até quando vamos fingir que isso tudo é normal?
Até quando vamos sair incólumes?
Até quando vamos transferir pro outro, um papel que também é nosso?
Por:
Mila Araùjo (La flor de la canela)
Infâncias?
Até quando vamos ignorar as crianças?
Fingir que não são visíveis ?
Teimar em não escutar suas vozes?
Desconhecer o que pensam e sentem ?
Por:
Tereza

quinta-feira, 3 de abril de 2008

INFANCIALIDADES: Infâncias sendo

A infancialidade é lugar das experiências.
É a historia em curso, é o trânsito entre passado-presente-futuro.
É a recusa da ausência da infância na própria infância sendo.
É acontecimento, é experiência..
É uma instauração da presença concreta das crianças e suas infâncias no projeto da adultez como o inusitado, o imprevisto, a descontinuidade, uma ritualidade clandestina em que se trafica significados entre o mundo próprio que elas criam e o que já estava posto e interpretado para elas.
As infancialidades são expressão dos sentimentos das crianças.Dos seus modos de viver a infância, de seus valores e localizações sociais.

JORGE LARROSA E A ALTERIDADE DA INFÂNCIA

[...]na medida em que nos escapa: na medida em que inquieta o que sabemos ( e inquieta a soberba da nossa vontade de saber), na medida em que suspende o que podemos ( e a arrogância da nossa vontade de poder ) e na medida em que coloca em questão os lugares que construímos para ela( e a presunção da nossa vontade de abarca-la). Aí está a vertigem: no como a alteridade da infância nos leva a uma região em que não comandam as medidas do nosso saber e do nosso poder.
[...] a infância nunca é o que sabemos (é o outro dos nossos saberes), ma por outro lado, é portadora de uma verdade à qual devemos nos colocar à disposição de escutar; nunca é aquilo apreendido pelo nosso poder ( é o outro que não pode ser submetido), mas ao mesmo tempo requer nossa iniciativa; nunca está no lugar que a ela reservamos ( é o outro que não pode ser abarcado), mas devemos abrir um lugar par recebe-la. Isso é a experiência da criança como um outro: o encontro de uma verdade que não aceita a medida do nosso saber, com uma demanda de iniciativa que não aceita a medida do nossos poder, e com uma exigência de hospitalidade que não aceita a medida da nossa casa .[...]
(LARROSSA, 2203, p.185).