Ontem estava assistindo uma aula sobre o desenvolvimento infantil e coloquei uma questão muito bem respondida pela nossa professora e fiquei a pensar, colocamos nossas crianças desde cedo na escola digo de passagem escola privada pensando que ali ela estaria muito bem amparada no seu desenvolvimento tanto escolar como social.
Mero engano, hoje vejo que investimos muito e não alcançamos o resultado tão desejado, passamos a conhecer e a estudar Bruner, Vygotsky e chegando em Piaget nossa ficha cai, lá se foram anos por agua abaixo, elas não constroem um raciocínio lógico, nem sabem para onde vai a tal da matemática e ainda somos avisados que elas não podem repetir de ano pois para o MEC e as escolas tem regras quanto a idade para cada ano escolar.
E a tal da alfabetização para onde foi? Isso tudo em uma escola privada, que não trabalhou bem a alfabetização nem muito menos ensinou a somar e diminuir, será que somos ausentes por trabalhar para pagarmos uma escola melhor ( era o que pensava) ?
Deixo aqui esse meu pensamento de mãe e estudante do curso de psicologia querendo saber para onde vai a educação no BRASIL.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
domingo, 16 de novembro de 2008
Son niños todavía
Son niños todavía, buscan refugio en su actuar, no hay mayor muestra que me lo pueda demostrar, que sus manos pintadas, y sus escasos minutos de receso aprovechados para fatigarse tras un balón.
Se cansan y sueñan, se ilusionan y toman dictado, algunos se asombran con la historia universal, y otros esperan un descanso para escuchar algo de supuesto punk-soft o música emotional.
Protestan si saber porque, gritan con afán desmedido, y se maquillan en una inocencia comprometida, en el refugio de las horas en un salón.
Hay quién estudia y quién no, quién roba y quién no, quién ama a muchas o muchos, y los que aman igual, pero callan.
Son niños, que se escapan de su niñez, que la bordean y la quieren saltar, pero no pueden, porque siguen siendo niños.
Se cansan y sueñan, se ilusionan y toman dictado, algunos se asombran con la historia universal, y otros esperan un descanso para escuchar algo de supuesto punk-soft o música emotional.
Protestan si saber porque, gritan con afán desmedido, y se maquillan en una inocencia comprometida, en el refugio de las horas en un salón.
Hay quién estudia y quién no, quién roba y quién no, quién ama a muchas o muchos, y los que aman igual, pero callan.
Son niños, que se escapan de su niñez, que la bordean y la quieren saltar, pero no pueden, porque siguen siendo niños.
Goyette
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Que infância nós estamos inventando?
No dia 9 de setembro os jornais de todo Brasil noticiaram mais duas mortes de crianças cuja autoria é do pai e da madastra. Sim, sabemos que um existe o infanticídio à brasileira, que mesmo que não mate as crianças fisicamente, mata simbolicamente e fazemos de conta que não vimos. Sim, sabemos que inúmeras crianças são abandonadas á própria sorte todos os dias e fazemos de conta que não vimos. Sim, sabemos que inúmeras crianças são maltratadas, humilhadas e desautorizadas nas escolas e fazemos de conta que não vimos. Sim, sabemos que homens todos os dias abusam sexualmente das crianças e fazemos de conta não vimos. Sim, sabemos que inúmeras crianças são prostituídas todos os dias por adultos e fazemos de conta que não vimos. Sim, sabemos que inúmeras crianças NÃO SÃO ESCUTADAS TODOS OS DIAS E FAZEMOS DE CONTA QUE NÃO VIMOS. INFANTICÍDIO/GENOCIDIO NÃO TEM PERDÃO! CHEGA DE DESTINAR AS CRIANÇAS A BARBÁRIE !
VAMOS FAZER DE CONTA QUE NÃO VIMOS O DESCASO E A FALTA DE ESCUTA DO CONSELHO TUTELAR COM AS CRIANÇAS?
VAMOS FAZER DE CONTA QUE NÃO VIMOS O DESCASO E A FALTA DE ESCUTA DO CONSELHO TUTELAR COM AS CRIANÇAS?
domingo, 7 de setembro de 2008
Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet
Por Anderson e Roseane Miranda
11 de maio de 2007
11 de maio de 2007
Tendo como principal meio de divulgação a Internet, a pedofilia movimenta milhões de dólares por ano e expõe milhares de crianças indefesas a abusos que nem mesmo adultos suportariam...Podemos afirmar, hoje, a existência de Clubes de Pedofilia! Esses “Clubes” servem para “associar” pedófilos pelo mundo; onde estes podem adquirir Fotos ou Vídeos contendo Pornografia Infantil ou, pior, “contratar” serviços de Exploradores sexuais, fazer Turismo sexual ou mesmo efetivar o Tráfico de menores e aliciá-los para práticas de abusos sexuais. E, pasmem, este circo de horrores é responsável pelo desaparecimento de crianças no mundo inteiro.Desenvolvemos um trabalho árduo, sem fins lucrativos, no combate ao crime, recebendo e repassando denúncias, com o auxílio de internautas que de algum modo, se viram diante de sites ou imagens contendo pornografia infantil ou pedofilia.Hoje, a nossa principal missão é a conscientização de internautas (usuários da Internet), políticos (responsáveis pela Legislação do País), as Famílias e a Sociedade como um todo, sobre a situação preocupante, imposta pela ação criminosa através da Internet. Nossas crianças correm o risco real e imediato de serem assediadas via Internet, raptadas para contracenarem em cenas sádicas, doentias, ou ainda, de verem publicadas sua dor, sua angústia pelo sofrimento no abuso ou exploração sexual... Por isso, abrace esta causa.Quem denuncia salva!
domingo, 31 de agosto de 2008

Ora, pois!
Não acredito que eu gostava
De arroz com ovo frito
Quando lembro sinto no peito um nó
Esse prato temperado pelas mãos mágicas da minha vó.
Deitado no sofá, atrás de mim à janela
E os sons que entravam dela me faziam acordar.
Com toda preguiça e vontade de dormir
Maior vontade era de brincar na rua.
Sob a luz da lua tantas cantigas de roda
E sorrisos cândidos nos rostos miúdos de todos nós:
Pique-esconde, chicotinho-queimado, pipa ao vento,
fazer cata-vento, apanhar fruta no pé.
Quantos dias, quantas noites de alegrias, de sonhos e aventuras!
Essa infância que recordo é saudosa, mas faz parte acabar.
Por enquanto digo quem dera que eu possa ao menos avistar
E espero ansioso novos dias que eu possa ao menos visitar
Meus próprios anjinhos a saltitar.
E repetir o que minha mãe dizia:
-Ei, menino, tá na hora de entrar!
Não acredito que eu gostava
De arroz com ovo frito
Quando lembro sinto no peito um nó
Esse prato temperado pelas mãos mágicas da minha vó.
Deitado no sofá, atrás de mim à janela
E os sons que entravam dela me faziam acordar.
Com toda preguiça e vontade de dormir
Maior vontade era de brincar na rua.
Sob a luz da lua tantas cantigas de roda
E sorrisos cândidos nos rostos miúdos de todos nós:
Pique-esconde, chicotinho-queimado, pipa ao vento,
fazer cata-vento, apanhar fruta no pé.
Quantos dias, quantas noites de alegrias, de sonhos e aventuras!
Essa infância que recordo é saudosa, mas faz parte acabar.
Por enquanto digo quem dera que eu possa ao menos avistar
E espero ansioso novos dias que eu possa ao menos visitar
Meus próprios anjinhos a saltitar.
E repetir o que minha mãe dizia:
-Ei, menino, tá na hora de entrar!
Vanderson Godoi
sábado, 23 de agosto de 2008
De quando a filosofia e a literatura infantil estão a brincar juntas
De quando a filosofia e a literatura infantil estão a brincar juntas
Rosângela Trajano
“Como a filosofia nos ensina a viver e como a infância tem sua lição tanto quanto as outras idades, por que não no-la comunicam?”
Montaigne, apud Cecília Meireles
Contentar-nos com histórias de príncipes e princesas, feiticeiras e dragões, como se fossemos ainda crianças. Maravilhar-nos com o encanto das entrelinhas que só conseguimos vislumbrá-lo quando tomados por uma sabedoria lapidada pelos caminhos da filosofia. Abro as janelas da minha morada, com cortinas recém-costuradas, mas cheias de desejos de uma investigação filosófica na literatura infantil. Parece-me que há muito minh’alma está irrequieta, há algo na literatura infantil que faz furinhos nas meias do meu pensamento crítico e investigativo.
Busco na literatura infantil considerações filosóficas que brotam do imaginário do autor, mas que retratam a realidade que nos cerca. Esta realidade vestida de dúvidas e incertezas. É preciso saber prender o pequeno leitor, despertar seu interesse pelo pensar, fazê-lo pensar, questionar e criticar. Existem ótimas histórias na nossa literatura que transmitem a base para um ensino filosófico com crianças. Acredito que toda literatura é bem-vinda quando sabemos explorar dela aquilo que nos desassossega o espírito. Deixemos as nossas crianças escolherem o que querem ler, permitamo-nos ser ouvintes e não contadores de histórias, pois o abrir caminhos é uma arte que poucos sabem desenvolvê-la.
A literatura infantil e a filosofia brincam juntas quando conseguimos fazer costuras com agulhas de mão sem usar o dedal, ou seja, quando nossa imaginação ganha asas e constrói em cima delas um pensar adiante, um pensar que edifica ou reconstrói conceitos. A filosofia embala seus mais belos versos em temas metafísicos que são colocados a todo instante pelas crianças. São elas eternas questionadoras, querem saber de tudo, buscam respostas e nunca estão plenamente satisfeitas. Colocar a filosofia e a literatura infantil para brincarem juntas é fortalecer um laço que muitas vezes se desfaz por falta de uma observação mais cuidadosa entre leitor e ouvinte. Temos na literatura infantil histórias que encantam pelas suas magias, que distraem pela beleza de suas metáforas, que nos fazem rir e chorar com desfechos imprevisíveis. Trazem estas histórias considerações filosóficas que observadas mais detalhadamente poderão transmitir às nossas crianças uma nova visão de mundo, uma nova observação das coisas ao nosso redor, uma sede pelo saber.
Não pretendo neste estudo me deter em um ou outro autor, pois para mim todas as histórias infantis trazem um pouco de filosofia, algumas apresentam estes conceitos de forma clara e objetiva, outras preferem colocar o leitor para procurar o grilo da primeira a última palavra. Como se dá esse brincar entre a filosofia e a literatura infantil? Quando a essência da história constitui elementos de interpretação filosófica que atraem o pensamento da criança para uma abordagem onde imaginação e realidade se abraçam e trocam olhares num sentir o que não foi dito, mas percebido. Esse ato de perceber é próprio da criança que ao término de um passeio por uma história infantil caminha em busca de respostas quase nunca encontradas. Cabe a filosofia esclarecer questões que são construídas nas histórias infantis e rebuscam a memória das nossas crianças. Sem a filosofia a literatura infantil pode até existir, mas será como o gesto físico do sorrir sem o prazer da alma.
Para ilustrar melhor o que queremos apresentar neste estudo buscamos nos versinhos atribuídos à Bárbara Heliodora o que significa esse encontro da filosofia com a literatura infantil:
“Meninos, eu vou ditar
as regras do bom viver;
não basta somente ler,
é preciso meditar,
que a lição não faz saber:
quem faz sábios é o pensar.”
É neste pensar referido acima que devemos nos preocupar. Por isso não basta somente fazermos as crianças lerem, é preciso saber conduzí-las ao exercício do pensamento. Aqui abrimos as portas à filosofia, pois a ela é dela a honra de criar sábios através dos seus ensinamentos. Se levássemos mais a sério o que as crianças nos dizem sobre os seus pensamentos poderíamos conhecê-las mais e melhor. Através da literatura infantil a criança descobre seu mundo exterior, para que tal descoberta não entre em conflito com a do mundo interior faz-se necessário que a filosofia seja buscada e aplicada de forma carinhosa sem invadir os mistérios que rodeiam os pensamentos da criança.
A criança sonha com um livro que traduza sua inquietude e sacie plenamente seu interesse. Deixemos que a criança escolha sua leitura, pois só ela vai saber identificar o que é de seu interesse. Não precisamos sair correndo por aí feitos loucos desesperados a procura de livros infantis que tenham considerações filosóficas, pois não os encontraremos. Devemos, sim, saber retirar desta literatura algo que se aproxime da filosofia. Temos muitas histórias infantis que tratam de temas, tais como: liberdade, justiça, morte, Deus, etc., as crianças quando estão lendo estas histórias costumam levantar questões sobre tais temas, e nós admiradores da sabedoria não podemos simplesmente respondê-las e pronto, nossa tarefa é transformar cada pergunta levantada numa outra pergunta de forma que a resposta seja encontrada na própria criança.
Na literatura infantil temos ainda a poesia, aquela que corteja a imaginação da criança e respeita seu espírito aventureiro. A poesia que coloca as letras para bailar, que abre janelas em casas nunca antes construídas, que fala da natureza e também dos sentimentos. Ah! Esta maravilhosa poesia! Faz festa nos olhos das nossas crianças com as suas rimas bem elaboradas, suas metáforas bem colocadas e acima de tudo seu jeito valioso de transmitir conhecimento e vontade de saber às crianças. Nela, nos deparamos com uma leitura que deságua nos sorrisos das crianças, colocando em seus lábios questões desafiadoras à filosofia.
Vivo a contar histórias para crianças. Surpreende-me que antes mesmo do término da contação, algumas crianças me façam perguntas que quase sempre não tenho respostas. Muitas vezes recorro à filosofia, noutras as perguntas são tão metafísicas que jamais encontrarei respostas. O que quero dizer aqui, é que se soubermos explorar este pensamento inquieto através da literatura infantil e mais ainda se soubermos acrescentá-lo a filosofia estaremos formando cidadãos se não sábios pelo menos donos de um pensamento próprio.
Na literatura infantil, as crianças percebem o mundo como ele realmente o é, ou seja, as histórias têm sempre um personagem que vai se parecer com a história de vida de uma delas. É bem verdade que essas histórias são cheias de encantos e magias, mas toda expressão de sentimentos desenvolve nas crianças o desejo de sonhar. Quando usamos a filosofia nestas histórias mostramos às crianças não só os conceitos dos sentimentos, mas principalmente a essência que cada um deles tem. Assim, se uma história trata da amizade entre duas pessoas, a filosofia cuidará de despertar nas crianças o que elas realmente pensam sobre amizade, daí surgindo as mais diversas questões.
Concluo que a filosofia e a literatura infantil só têm a acrescentar mais alegria, esperança e sabedoria às nossas crianças. Pois a união das duas é fonte de riquíssimo conhecimento não só da leitura de uma história infantil, mas da descoberta de uma alma que mora num lugar secreto e só aparece aqueles que ousam enfrentar dragões e feiticeiras, e buscar nas profundezas das palavras escritas o piscar de olho e o barulho das trombetas anunciando que as histórias são como bonecas de pano, uma vez rasgadas, é só remendá-las; histórias uma vez amadas, para sempre serão lembradas. Logo, podemos dizer que a literatura infantil e a filosofia podem ir para casa brincar de ciranda, cirandinha ou de amarelinha, pois já demonstraram a amizade que as cercam.
http://www.rosangel atrajano. com.br/filinfant il.htm
Rosângela Trajano
“Como a filosofia nos ensina a viver e como a infância tem sua lição tanto quanto as outras idades, por que não no-la comunicam?”
Montaigne, apud Cecília Meireles
Contentar-nos com histórias de príncipes e princesas, feiticeiras e dragões, como se fossemos ainda crianças. Maravilhar-nos com o encanto das entrelinhas que só conseguimos vislumbrá-lo quando tomados por uma sabedoria lapidada pelos caminhos da filosofia. Abro as janelas da minha morada, com cortinas recém-costuradas, mas cheias de desejos de uma investigação filosófica na literatura infantil. Parece-me que há muito minh’alma está irrequieta, há algo na literatura infantil que faz furinhos nas meias do meu pensamento crítico e investigativo.
Busco na literatura infantil considerações filosóficas que brotam do imaginário do autor, mas que retratam a realidade que nos cerca. Esta realidade vestida de dúvidas e incertezas. É preciso saber prender o pequeno leitor, despertar seu interesse pelo pensar, fazê-lo pensar, questionar e criticar. Existem ótimas histórias na nossa literatura que transmitem a base para um ensino filosófico com crianças. Acredito que toda literatura é bem-vinda quando sabemos explorar dela aquilo que nos desassossega o espírito. Deixemos as nossas crianças escolherem o que querem ler, permitamo-nos ser ouvintes e não contadores de histórias, pois o abrir caminhos é uma arte que poucos sabem desenvolvê-la.
A literatura infantil e a filosofia brincam juntas quando conseguimos fazer costuras com agulhas de mão sem usar o dedal, ou seja, quando nossa imaginação ganha asas e constrói em cima delas um pensar adiante, um pensar que edifica ou reconstrói conceitos. A filosofia embala seus mais belos versos em temas metafísicos que são colocados a todo instante pelas crianças. São elas eternas questionadoras, querem saber de tudo, buscam respostas e nunca estão plenamente satisfeitas. Colocar a filosofia e a literatura infantil para brincarem juntas é fortalecer um laço que muitas vezes se desfaz por falta de uma observação mais cuidadosa entre leitor e ouvinte. Temos na literatura infantil histórias que encantam pelas suas magias, que distraem pela beleza de suas metáforas, que nos fazem rir e chorar com desfechos imprevisíveis. Trazem estas histórias considerações filosóficas que observadas mais detalhadamente poderão transmitir às nossas crianças uma nova visão de mundo, uma nova observação das coisas ao nosso redor, uma sede pelo saber.
Não pretendo neste estudo me deter em um ou outro autor, pois para mim todas as histórias infantis trazem um pouco de filosofia, algumas apresentam estes conceitos de forma clara e objetiva, outras preferem colocar o leitor para procurar o grilo da primeira a última palavra. Como se dá esse brincar entre a filosofia e a literatura infantil? Quando a essência da história constitui elementos de interpretação filosófica que atraem o pensamento da criança para uma abordagem onde imaginação e realidade se abraçam e trocam olhares num sentir o que não foi dito, mas percebido. Esse ato de perceber é próprio da criança que ao término de um passeio por uma história infantil caminha em busca de respostas quase nunca encontradas. Cabe a filosofia esclarecer questões que são construídas nas histórias infantis e rebuscam a memória das nossas crianças. Sem a filosofia a literatura infantil pode até existir, mas será como o gesto físico do sorrir sem o prazer da alma.
Para ilustrar melhor o que queremos apresentar neste estudo buscamos nos versinhos atribuídos à Bárbara Heliodora o que significa esse encontro da filosofia com a literatura infantil:
“Meninos, eu vou ditar
as regras do bom viver;
não basta somente ler,
é preciso meditar,
que a lição não faz saber:
quem faz sábios é o pensar.”
É neste pensar referido acima que devemos nos preocupar. Por isso não basta somente fazermos as crianças lerem, é preciso saber conduzí-las ao exercício do pensamento. Aqui abrimos as portas à filosofia, pois a ela é dela a honra de criar sábios através dos seus ensinamentos. Se levássemos mais a sério o que as crianças nos dizem sobre os seus pensamentos poderíamos conhecê-las mais e melhor. Através da literatura infantil a criança descobre seu mundo exterior, para que tal descoberta não entre em conflito com a do mundo interior faz-se necessário que a filosofia seja buscada e aplicada de forma carinhosa sem invadir os mistérios que rodeiam os pensamentos da criança.
A criança sonha com um livro que traduza sua inquietude e sacie plenamente seu interesse. Deixemos que a criança escolha sua leitura, pois só ela vai saber identificar o que é de seu interesse. Não precisamos sair correndo por aí feitos loucos desesperados a procura de livros infantis que tenham considerações filosóficas, pois não os encontraremos. Devemos, sim, saber retirar desta literatura algo que se aproxime da filosofia. Temos muitas histórias infantis que tratam de temas, tais como: liberdade, justiça, morte, Deus, etc., as crianças quando estão lendo estas histórias costumam levantar questões sobre tais temas, e nós admiradores da sabedoria não podemos simplesmente respondê-las e pronto, nossa tarefa é transformar cada pergunta levantada numa outra pergunta de forma que a resposta seja encontrada na própria criança.
Na literatura infantil temos ainda a poesia, aquela que corteja a imaginação da criança e respeita seu espírito aventureiro. A poesia que coloca as letras para bailar, que abre janelas em casas nunca antes construídas, que fala da natureza e também dos sentimentos. Ah! Esta maravilhosa poesia! Faz festa nos olhos das nossas crianças com as suas rimas bem elaboradas, suas metáforas bem colocadas e acima de tudo seu jeito valioso de transmitir conhecimento e vontade de saber às crianças. Nela, nos deparamos com uma leitura que deságua nos sorrisos das crianças, colocando em seus lábios questões desafiadoras à filosofia.
Vivo a contar histórias para crianças. Surpreende-me que antes mesmo do término da contação, algumas crianças me façam perguntas que quase sempre não tenho respostas. Muitas vezes recorro à filosofia, noutras as perguntas são tão metafísicas que jamais encontrarei respostas. O que quero dizer aqui, é que se soubermos explorar este pensamento inquieto através da literatura infantil e mais ainda se soubermos acrescentá-lo a filosofia estaremos formando cidadãos se não sábios pelo menos donos de um pensamento próprio.
Na literatura infantil, as crianças percebem o mundo como ele realmente o é, ou seja, as histórias têm sempre um personagem que vai se parecer com a história de vida de uma delas. É bem verdade que essas histórias são cheias de encantos e magias, mas toda expressão de sentimentos desenvolve nas crianças o desejo de sonhar. Quando usamos a filosofia nestas histórias mostramos às crianças não só os conceitos dos sentimentos, mas principalmente a essência que cada um deles tem. Assim, se uma história trata da amizade entre duas pessoas, a filosofia cuidará de despertar nas crianças o que elas realmente pensam sobre amizade, daí surgindo as mais diversas questões.
Concluo que a filosofia e a literatura infantil só têm a acrescentar mais alegria, esperança e sabedoria às nossas crianças. Pois a união das duas é fonte de riquíssimo conhecimento não só da leitura de uma história infantil, mas da descoberta de uma alma que mora num lugar secreto e só aparece aqueles que ousam enfrentar dragões e feiticeiras, e buscar nas profundezas das palavras escritas o piscar de olho e o barulho das trombetas anunciando que as histórias são como bonecas de pano, uma vez rasgadas, é só remendá-las; histórias uma vez amadas, para sempre serão lembradas. Logo, podemos dizer que a literatura infantil e a filosofia podem ir para casa brincar de ciranda, cirandinha ou de amarelinha, pois já demonstraram a amizade que as cercam.
http://www.rosangel atrajano. com.br/filinfant il.htm
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